Assistimos a estréia do novo longa-metragem de Zé do Caixão - Encarnação do Demônio
Por Executor
11 de julho de 2008
O monumental theatro de Paulínia havia sido inaugurado a alguns dias, então resolvemos conhecê-lo no dia em que Zé do Caixão estrearia seu novo filme.
O teatro foi projetado para ser usado para apresentações de peças e também para a exibição de filmes. Alto padrão para a construção, tecnologia de ponta e um refinado design em cada detalhe. Mas tudo tem seu aspectos negativos, pelo menos por minha parte. As cadeiras de madeira com um fino estofado incomodavam com o desconforto após 30 minutos sentados. A qualidade de projeção poderia ser muito superior assim como a acústica do ambiente. Mas críticas do teatro à parte vamos ao filme.
Antes que Zé do Caixão entrasse foram apresentados alguns curtas, e ele, às escondidas atrás das cortinas anunciava os itens de segurança do espaço e o que se podia e não podia fazer durante uma sessão.
Sérginho Groisman foi o apresentador durante todos as apresentações do dia, e com muita descontração começava a anunciar a entrada de Zé do Caixão. Pediu então para que as luzes se apagassem e que apenas um canhão de luz ficasse sobre ele. Neste ponto mais erros técnicos da equipe de iluminação que provavelmente se confundiu todo e falhava no simples pedido de luz de Serginho.
A entrada de Zé do Caixão é anunciada, e com muitos aplausos ele sobe ao palco ao seu melhor estilo. Cartola, capa preta, um amuleto dourado ao pescoço, anéis pelos dedos, barba já grisalha mas não havia unhas. Zé do Caixão cortou suas unhas em 1982 por recomendações médicas, e fez isso em um programa de televisão ao vivo para todo o Brasil.
Zé começou recomendando que crianças e mulheres mais sensíveis deixassem o recinto, pois o filme conteria fortes cenas e para quem ficasse, no caso de passarem mal poderia ir até o banheiro despejar o que haviam almoçado. O pública ria em imaginar cenas como essa, mas mesmo após muita gente ir embora, outras muitas vieram e lotaram todas as cadeiras do teatro, proporcionando uma estréia excelente.
Sérginho perguntou quantos diretores tiveram o roteiro do filme em mãos que estava pronto a mais de trinta anos e com muita irreverência e humor negro, contou que alguns deles morreram dias antes de começarem as gravações do longa que fecharia sua trilogia iniciada em 1967.
Finalmente, uma hora e meia atrasado em relação à programação o filme começa. Josefel Zanatas está prestes a ser solto, e isso abala emocionalmente a todos aqueles que estão sabendo da notícia, principalmente o delegado encarregado de soltá-lo.
Zé do Caixão é recebido do lado de fora da prisão por Bruno, seu fiel amigo corcunda que o leva até seus novos aposentos no meio de uma favela. O novo calabouço do coveiro sádico é sombrio, e aqui ficam minhas ótimas impressões sobre a produção. Excelente. Maquiagem e cenários surpreendentes.
À partir daquele momento uma longa jornada em busca de uma mulher perfeita para gerar seu filho perfeito é iniciada. Muitas mortes, torturas dignas de um bom filme de terror trash como suspensão por ganchos na pele, mãos sendo esmagadas, peles sendo rasgadas pelas mão de Mojica, e a melhor parte que é quando Zé do Caixão vai para o inferno. Cenas fortes de pessoas sofrendo crucificadas e presas, sendo comidas pelas tripas por pessoas zumbis ou apenas canibais para fins de sofrimento.
Durante todo o filme o coveiro é assombrado por fantasmas de pessoas mortas no passado, uma boa sacada para ligar os melhores momentos do passado e fazer aqueles que nunca haviam assistido os filmes anteriores a entenderem melhor os detalhes da história.
Enfim, o filme tem uma execelente produção, trilha sonora muito boa e uma história bem desenvolvida. Minha crítica fica por conta de clichês criados pelo próprio Mojia repetindo-se diversas vezes durante o filme. A pronúncia e estilo de voz de Zé do Caixão pode irritar muitas pessoas por ter apenas um tom amargo durante todo o filme, mas é uma marca de anos conhecida mundialmente por todos os anos de trabalho em cinema e televisão.
Parabéns ao José Mojica Marins e toda sua equipe de produção, pois sabemos das dificuldades para se conseguir algo relacionado a filmes de terror trash.