Tudo começa quando Elderor, filho de Barior estava no caminho de volta para sua casa depois de um dia inteiro de trabalho no campo. Verdes paisagens, uma brisa suave que batia em seu rosto, pássaros voando e dançando embaixo daquele grande globo azul no infinito do céu. Ao galope do cavalo, Elderor sonhava em um dia poder ser como seu pai, que tinha muita fama e glória, por suas grandes conquistas em batalhas, e sua fama de herói do povo, que combatia sempre em favor destes.
Enquanto estamos na estrada para Goriel, sua casa, as montanhas ficam cada vez mais visíveis, e grandes criaturas rodeando em meio a nuvens de algodão, mergulhando e voltando a sua rota. Circulando as montanhas. Se mostram criaturas tão grandes e magníficas, que se não fosse aquele belíssimo e encantador cenário da natureza poderiam até nos dar medo. Eram grandes dragões, criaturas mágicas e o coração daquele mundo.
Aquelas montanhas eram chamadas de “Montanhas das Criaturas”, e não haviam apenas dragões, mas criaturas ferozes e desconhecidas que habitavam aquele local.
Passando as Montanhas das Criaturas a entrada de Goriel já era visível. Mais alguns metros. Mais alguns metros. Chegamos. Alguém abre o portão. Entramos.
Algo estava errado. Bastou andarmos apenas alguns quarteirões e uma cena terrível abalou Elderor. Todos estavam mortos. Uma batalha parecia ter passado por ali. Homens armados caídos, cavalos ainda sem rumo sem seus cavaleiros andando em alguns cantos. Espadas caídas ocupavam quase todos os espaços que passava. Era difícil andar por ali. Plantas, flores e qualquer tipo de verde estava agora de tom acinzentado, mortas e secas fazendo com que o clima que dia trazia paz e tranquilidade agora passasse ódio e raiva.
Lágrimas fugiram de seus olhos, que já estavam consumidos por uma grande fúria quando avistou a casa de seus pais. Agora sem se importar com as espadas que o faziam cambalear cada vez que pisava em cima de uma. Aproximou-se do local. As portas estavam abertas, e foi então entrando, já sentindo a terrível emoção que estava para comprovar. Pilares esculpidos a mão em formas de folhas de macieira separavam a sala de entrada da sala da lareira, onde pegadas de sangue vinham da direção de algum corpo caído ao chão, aquele que Elderor não queria acreditar quem fosse, e se não bastasse, logo ao lado sua mãe.
Barior estava com sua espada em mãos, e pelo seus estado parecia ter lutado muito pouco, como sua mãe, caída ao lado sem sangue algum. Barior tinha apenas um ferimento de espada no tórax.
Ela, Mhiryem, estava com uma rosa em suas mãos, tirada de seu jardim. Elderor sabia disso, mas não podia entender, se as rosas do jardim eram vermelhas, porque aquele estava negra, e morta também?
Passos apressados foram ouvidos qaundo o tilintar de metais anunciou a presença de alguém na sala ao lado, que era dividido por uma abertura de cerca de 4 metros de comprimento, sendo enfeitada por uma cortina vermelha, que impedia a visão para o outro lado, pois estava fechada. Elderor pegou a espada das mão de seu falecido pai, pois para ele foi mais rápido que tirar da bainha sua própria espada. Correu em direção à cortina atravessando-a desesperadamente procurando por algum responsável daquelas mortes. Não viu nada, e o silêncio pairava novamente.
Era dia, e pela janela raios de sol entravam iluminando por completo toda a sala. Mas ele sentia algo mais. Sentia que não estava só. Sentia perigo. Sentido esse que nunca falhava de acordo com sua experiência em aventuras passadas. Os vidros transparentes ficaram negros, tomados por uma viscosa coisa negra, que agora bloqueava totalmente a entrada de luz. Estava escuro, não enxergava, e assim não poderia lutar. Ficou imóvel com sua astuta audição em posto de auxílio. Sua espada já estava em guarda quando percebeu uma fraca luz brotando da esmeralda que ficava acima de onde empunhava a espada. Aquela era a espada de seu pai, enfeitiçada por magos muito poderosos como um presente, que quando guerreiro defendeu e salvou muitos povos em diversas batalhas. Não sabia o que aquilo significava, mas tirou por conclusão ser um avisa da presença do inimigo. Estava certo. Um flash muito forte dispsrou na sala, segando-o por alguns segundos. Quando percebeu, à sua volta estavam cinco criaturas, acinzentadas, como esqueletos, mas com uma fina camada de pele. Os olhos verdes e brilhantes combinavam com a luz que agora mais forte emanava de sua espada. Não tinham cabelos nem pés, flutuavam sob uma fumaça negra que pareciam combinar com as trevas mais profundas conhecidas pelo homem. Em seus rostos podia-se perceber leves sorrisos, estes os quais podía-se ver toda a perversidade que neles haviam. Elderor agora estava certo de quem foram os responsáveis pela morte de todo o seu povo.
Antes que pudesse dar o primeiro movimento para atacar sentiu seu corpo sendo paralisado. Não podia mais mover qualquer parte de seu corpo. Não conseguia ao menos piscar, mesmo sentindo seus olhos secos como o deserto. Sentia também muita sede. As paredes de pedra agora começavam a sumir, e por trás um lugar muito parecido com que histórias de morte nos contavam. Estava no inferno. Pedras flamejantes montavam o chão em que eles pisavam. O sorriso das 5 criaturas agora aumentou, quase gargalhando. Meu corpo sentiu-se livre, e agora podia me mover. Mas antes que eu pudesse fazer algo senti-me possuído por chamas ardentes, que me fizeram gritar como um carvão virando brasa. Caí ao chão rolando para qualquer lado sem resultado. A dor e a agonia eram tudo que podia sentir, cheiras, pensar ou viver naquele momento. A dor era intensa, quando após ruídos produzidos pelas criaturas o fogo foi-se apagando, e assim mostrando uma horrenda imagem de meu corpo, com carne queimada misturada a pedaços de pele derretidos e músculos expostos. Senti fraqueza em minhas pernas e caí novamente ao chão. A cada movimento podia sentir a carne dilaerada pelo corpo se encontrando com outras partes de mim, e que geravam cada vez mais dor e sofrimento. De repente em segundos tudo passou. Abri os olhos. Era um alívio. A melhor sensação do mundo já vivida por mim. Estava de volta. A sala agora era iluminada novamente. Mas a situação ainda era a mesma. Todos estavam mortos. Quem eram aquelas criaturas? O que aconteceu comigo? O que aconteceu aqui? Logo as respostas viriam.
Capítulo 2: Adeus meus amigos
Precisava partir imediatamente em busca de respostas e vingança, mas antes precisava dar um adeus decente a todos os meus amigos que cresceram, e fizeram parte de minha vida, pois agora não tinha mais ninguém em quem pudesse confiar ou contar com ajuda. Estavam todos mortos. A alguns kilometros depois dos portões de entrada ficava o rio Magnadis onde os mortos eram colocados em barcos feitos de galhos de árvores nobres. Não haviam distinção entre um rei ou um aldeão quando a despedida deste mundo para o outro era feito.