A poluição do ar pôde ser controlada, pois os carros elétricos já haviam tomado conta da nova moda automobilística, onde todos queriam ficar sempre na frente, muitas vezes por mero status. O problema é que depois da proibição e inibição das indústrias de poluirem o ar, a única saída foi fazer daquele velho jeito trapaceiro que todos conhecemos. Jogar lixo poluidor em rios e terras às escondidas.
Muitos traficantes e bandidos ganhavam muito dinheiro com isso, pois eram contratados geralmente por grandes empresas para fazer esse serviço sujo. A polícia já não se sentia mais a vontade de andar na rua, não sem antes vestirem seus coletes, joelheiras, capacete, caneleiras, tudo à prova de bala. Agora só haviam duas raças sociais. Os super-poderosos e milionários, e os humildes restos de pessoas famintas e humilhadas pelo cruel mundo que sobrou.
Era futuro, mas cada vez mais o homem regredia. Se tornava agressivo, sem compaixão e frio. A igreja agora voltava às raízes, recrutando soldados para proteger terras sagradas, que após anos e anos perdendo fiéis, agora era atacada por eles. Em qualquer parte do mundo, além de fome e miséria, a violência andava solta por cada canto, presente em todas as pessoas, inclusive crianças, que desde pequenas já tinham que aprender a sobreviver.
No dia 9 de abril o sol nasceu muito lentamente, para aqueles mais desatentos, pois na verdade as nuvens vemelhas de poluição do passado, agora eclodiam das terras e fechavam as entradas que os raios de sol usavam para chegar até a nosso planeta. Estava para vir uma tempestade ácida, provocada pelo acúmulo de lixos e poluição por décadas pelo homem. Todos já sabiam dos sintomas daquele clima. Rapidamente, mas sem desespero, homens, mulheres e crianças rumavam para suas casas em busca de proteção. As portas de madeira fechadas às paredes também de madeira podre, tinham de ser complementadas nas frestas por panos e qualquer coisa que isolasse o lugar deles com o mundo lá fora.
Daqui a algumas horas o mundo se transformaria.
Enquanto isso, na cidade do vaticano, agora cercada por altos muros , que lembravam as muralhas da China, bastante protegida pelo "exército de Deus" os padres, bispos e arcebispos oravam pedindo misericórdia por seus atos. Todos recolheram-se. Nas ruas esquecidas pelo resto da humanidade, brisas leves começavam a cantar pequenos assobios na noite, e em poucos minutos a música era outra. Pessoas gritando, correndo nas ruas para se proteger da fúria dos ventos, que arremessava objetos e pedaços casas contra qualquer coisa ou qualquer pessoa que estivesse em sua frente. Não haviam muitos lugares, por isso muitas pessoas encolhiam-se em cantos junto a muitas outras pessoas da superpopulação que a humanidade se tornou. A cada metro havia pelo menos uma pessoa.
Crianças agora já não conseguiam abrir os olhos. Pais desesperados, olhos vermelhos e lacrimejantes pegavam seus filhos sem saber o que fazer ou para onde correr, e em poucos minutos eles também já não podiam mais enxergar. Geralmente os sintomas desta tempestade de vento ficavam por cerca de dois dias, sem que este pudesse enxergar direito, mas aquela tempestade estava durando muito mais tempo que o costume. A eternidade para aqueles que se perdiam nas ruas, era o sofrimento para crianças indefesas que agonizavam com sua pele ardente.
Cap. 2 - Surpresa...Morte....
Para a surpresa de todos, trovões cruzaram as nuvens anunciando a vinda de algo muito mais terrível. Chuva.
Em menos de um minuto após aquelas faixas brilhantes atravessarem os céus, as primeiras gotas de água vinham de encontro com a terra, de acordo com a lei da gravidade. Gravidade esta, a situação em que as pessoas se encontravam. Se já não podiam se esconder dos ventos, como poderiam fujir da água trazida pelos ventos? A resposta era simples e verdadeira: Não havia como. Cada gota vinha como uma ogiva nuclear ao encontro do rosto das crianças. Feridas rapidamente começavam a surgir da pele das pessoas agora implorando e se jogando contra casas e portas que encontravam pela frente, derrubando aquelas simples paredes que guardam outras pessoas e agora expondo mais do que poderia ter sido.
A pele derretia como gelatina fresca escorrendo pelas bordas da travessa. O inferno era para onde as pessoas más eram enviadas? Isso foi no passado, hoje o inferno é enviado para fazer parte da vida de todos na terra. Gritos desesperados e sem sentidos, suplicando por algo que não podia ser interpretado, gerando uma onde de gritos por kilômetros à frente por onde a chuva passava. Morte. Milhões de corpos deteriorados pelo que fizemos no passado, trazido junto com a chuva, que em hoje se vinga de tudo o que já passou por séculos de sujeira. Vinga-se em seu nome e o da natureza.
Catástrofes geradas por nós mesmos, consequência do que nossos antepassados faziam e do que fazemos. Esse caótico mundo à beira da morte abriu portas para forças maiores do que nós virem para dominar. O poder que o medo, a tristeza, a incerteza, a fome, a indiferença trouxe. Começava à partir deste momento a batalha das mil almas.
Cap. 3 - A lenda que se torna estória
Dizia uma profecia de que enquanto o mundo se tansforma em uma arma de suicídio, os dois lados dos poderes, o inferno e o céu estão selecionando seus melhores guerreiros para travar uma batalha sem precedentes na história. Se o bem vencesse o mundo teria salvação. Se o contrário, era o fim de tudo que durou até hoje. Nas ruas agora centenas de corpos deixam as ruas mais sujas e deprimentes do que já antes eram. A lama e água que ainda sobraram faz com que o sangue escorra manchando toda e qualquer parte clara como o cimento em vermelho.